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Lavras da Mangabeira é um município do Estado do Ceará, Brasil. Localiza-se na microrregião de Lavras da Mangabeira, mesorregião do Centro-Sul Cearense. O município tem cerca de 31 mil habitantes e 993 km². Foi criado em 20 de Maio de 1816.

 

HISTÓRIA

 

LAVRAS – DA COLONIZAÇÃO AO POVOADO
No século XVIII (1757), no mês de março, eram encontradas as lavras situadas nos Altos do Garrote, localizadas entre as fazendas Boqueirão de Afonso de Albuquerque, comandante da Muribeca, e a Mangabeira, do Padre Antônio Gonçalves Sobreira, morador em Paratibe. Depois de quase cinco anos de iniciadas as explorações das Minas de São José dos Cariris, foi que teve lugar o descobrimento das Lavras de São Gonçalo, das chamadas Mangabeira, provavelmente, do nome da fazenda pertencente ao Padre Sobreira, e que seus exploradores vieram atraídos pela notícia de que lá havia muito ouro. Em 1758, foi proibida a mineração na capitania, o povoado ficou em absoluta miséria com o seu desaparecimento e seus habitantes que ali permaneceram passaram a recorrer da agricultura e pecuária para se manterem.

Seu nome surgiu da mineração: Lavras; no local: Mangabeira.

 

Lavras da Mangabeira teve sua origem sócio-religiosa diferente de quase todas as outras. Em geral, as cidades evoluíram de aglomerados humanos, surgidos ao pé de capelas ou casas-de-oração. No caso de Lavras, houve o aglomerado humano, decorrente das Lavras ou da mineração, depois veio à ermida, como conseqüência natural.

Conta à lenda que foi encontrada uma imagem de São Vicente Férrer sob um Juazeiro, no local da atual matriz, por um vaqueiro de Xavier Ângelo (Capitão-Mor da Vila de São Vicente das Lavras e fundador do povoado). A imagem era conduzida para a casa, mas lá retornava, como a indicar que ali deveria ser construído um templo. A data de sua construção é desconhecida. Sabe-se que em 1768, a Capela de São Vicente Férrer, construída ao tempo do Padre Joaquim de Figueiredo Arnaud.

A partir 1758, do Livro III de Registros Eclesiásticos da Freguesia do Icó constam as denominações: “Sítio das Lavras da Mangabeira do Rio Salgado” e “Sítio da Mangabeira das Lavras”. Posteriormente, o lugarejo, já como povoado, foi registrado com variadas designações: Povoação das Lavras da Mangabeira, Povoação da Mangabeira, Povoação de São Vicente Férrer ou Ferreira, Povoação de São Vicente Férrer ou Ferreira das Lavras, Povoação de São Vicente Férrer ou Ferreira das Lavras da Mangabeira, Povoação das Lavras.

 

O BOQUEIRÃO

 

O Boqueirão, como o próprio nome indica, é a garganta aberta, na serra homônima, a cinco quilômetros da sede do município de Lavras da Mangabeira, pelo Rio Salgado que, segundo o escritor e sociólogo Joaquim Alves, a cortou nos tempos das formações geográficas, com o volume das águas.

 

Formada por duas partes descomunais, aberta, na própria rocha, a referida garganta, que dá vazão, através do Salgado, a todas as águas fluentes do sul do Estado, Tem uma altura de noventa e três metros e uma largura de quarenta, com poço permanente á época da estação seca, constituindo uma das mais bonitas e fascinantes paisagens que o olho humano possa contemplar.

 

É célebre a chamada Caverna do Boqueirão. Originária da desagregação da rocha, e com avultado comprimento, se bem que ignorado, demora essa gruta a cerca de cem palmos acima do nível do poço, apresentando a configuração de uma cúpula achatada e servindo de morada a morcegos.

No século XIX, o Governo Imperial projetou a construção de um enorme reservatório no local. Os estudos foram confiados ao engenheiro inglês Jules J. Revy, que chegou a conclusão da inviabilidade do empreendimento, divido a diversos fatores, constantes do seu relatório, inclusive a fragilidade do rochedo nos encontros do muro e a dificuldade de se fazer um escoamento sobre a rocha sólida.

 

A respeito do Boqueirão e suas lendas, é muito comum se ouvir estórias a respeito de fenômenos estranhos que ocorriam no local, tanto no fundo do poço, como no interior da gruta, as quais encontram guarida na crendice popular. Salas ricamente atapetadas, mesas e altares com lindíssimas toalhas, baixelas de metal precioso e um carneiro de ouro viam-se, ali, em determinadas circunstâncias, de envolta com os encantamentos próprios das fantasias.

 

Dizia-se, por exemplo, que no fundo do poço, que é extenso e profundo, quando a água serenava, era visto um carneiro de ouro em pé sobre uma pedra, prenunciando ali haver um intenso cabedal subterrâneo. E nos escâncaros da gruta que só se pode chegar lá de balsas pelo poço e subir as escadas até lá, era vista uma mesa atoalhada, com baixelas de ouro e prata. E se alguém conseguisse de fora, alcançar com longas varas a tal mesa e derrubar toda aquela riqueza, atemorizava-se ao ver que em poucos minutos estava novamente composta.

 

“Até hoje o Boqueirão continua desaproveitado, sem explorar suas potencialidades turísticas. Enquanto isso permanece escondido e perdido, em pleno sertão cearense, o nosso velho e lendário Boqueirão de Lavras da Mangabeira, maravilha rústica, mas soberba e eterna, que, por ignorada, a história não incluiu entre as principais do mundo”. (Joaryvar Macedo – 1984).